Por RANDALL NETO
Eu já tive vontade de ser tanta coisa... mesmo depois daquela fase das perguntas "o que você quer ser quando crescer?", eu continuei querendo ser o que não era.
Dito assim, não parece bom, mas dentre as coisas que eu queria ser, nessa semana eu queria ser corinthiano.
Confesso que não é a primeira vez que esse sentimento me assalta os confins da alma, lembro de ter sentido algo semelhante nos tempos da Democracia, quando jogava de camisa pra fora do calção e me dizia Casagrande;
naquele carrinho milagroso do Viola no Brinco de Ouro em 88;
no gol solitário do limitado Tupãzinho matando o São Paulo clássico do "mestre" Telê;
nas deslizadas de joelho do gorducho Neto a cada gol retirado a fórceps, conduzindo o time como um Leônidas nada espartano, ou quando o Dida pegou aqueles dois pênaltis do Raí como se brincasse de uni-duni-tê!
Ano passado eu não quis ser Corinthiano, mas queria estar no meio da Fiel quando o Hino Informal do Corinthians foi composto, o arrepiante "Aqui tem um bando de lôco!".
Deve ser muito bom torcer pro Corinthians!
Os meus colegas de trabalho saíram nas 18 horas cravadas do relógio de ponto na véspera do feriado do dia do trabalho pra ver um combalido e desacreditado Corinthians "série b" tentar reverter uma desvantagem sobre o Goiás, um conhecido e frequente algoz.
O time podia não ser lá essas coisas, mas a torcida confiava que poderia fazer a sua parte, e ainda no primeiro tempo estalava um 4 x 0 no placar.
Depois dessa rodada, com o meu Palmeiras eliminado, vaticinei que pintava em preto e branco o Tri Campeão da Copa do Brasil!
Meus amigos continuaram indo, mesmo ritual, mesma confiança, primeiro o São Caetano, depois o Botafogo, presença garantida no Morumbi lotado, e uma fé que eu, recém campeão paulista, não conseguia entender de onde vinha.
Exatamente por não ser Corinthiano!
E não sendo, vi uma movimentação entre os caras e descobri que não era pra combinar a logística do primeira partida no Morumbi, e sim, confirmando presença num pacote pra ver a segunda partida no Recife!
Abri um sorriso de felicidade vicária e falei:
"Só corinthiano mesmo!".
Foi corrigido a tempo: "Isso aqui é pra qualquer um, mano! Corinthiano mesmo iria mesmo se tivesse perdido o primeiro jogo!".
E lá vão meus "broders" pra Veneza Brasileira, a Pasárgada cantada pelo filho da terra, jogar na "Ilha de Lost", como diz o Xico Sá!
Um contingente menor do que aquele que invadiu o Maracanã pra parar a Máquina Tricolor em 76, mesmo Maracanã que viu o único campeão Mundial da "era moderna" que não precisou ir pro Japão, ganhou em casa, no outrora batizado "Recreio dos Bandeirantes", em pleno verão carioca!
Salve o Corinthians, pois graças a ele, o meu Palmeiras consegue seguir tão grande quanto o Grande Rival!
*Randall Neto é advogado e, como se viu, é palmeirense. É maior e vacinado.
terça-feira, 10 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Futebol não se discute... ou discute?
Cheguei em Cuiabá na sexta- feira. Na mesma noite participei de uma discussão interessante. Havia palmeirenses, corinthiano, flamenguista,vascaíno, cruzeirense.
A discussão era a seguinte: como sabemos se um time é maior que o outro ou não. É pelo número de títulos? Número de torcida? Número de informações sobre o time na imprensa?
Eu disse e repito, eu acho que é pela sua história em geral. Do que adianta um enorme número de títulos, sendo que nenhum deles acabam sendo lembrados? Vou dar um exemplo: o Santos é bi- campeão mundial, mas os santistas não se lembram tanto do título em si, mas sim do time que jogava naqueles mundiais e em tantos paulista, como Pelé, Pepe e Coutinho.
Do que adianta a maior torcida, sendo que ela não é presente?
Do que adianta tantos anos de glória, títulos, torcida enorme, sendo que vem uma diretoria corrupta e mancha essa história toda?
Um dos times de maior tradição no estado de São Paulo, a Ponte Preta, nunca ganhou um título na sua história, e é um dos times mais importantes do país. Isso não é uma história bonita?
Portanto meus amigos, essa discussão nunca acabará, pois o são paulino vai se lembrar do Expressinho Tricolor, o santista de Pelé, o palmeirense do chute do Marcelinho que o Marcos pegou, o corinthiano da invasão de 76, o flamenguista de Zico, o dombosquino de Carlinhos ie ié...
Tudo isso faz parte da história destes times.
A discussão era a seguinte: como sabemos se um time é maior que o outro ou não. É pelo número de títulos? Número de torcida? Número de informações sobre o time na imprensa?
Eu disse e repito, eu acho que é pela sua história em geral. Do que adianta um enorme número de títulos, sendo que nenhum deles acabam sendo lembrados? Vou dar um exemplo: o Santos é bi- campeão mundial, mas os santistas não se lembram tanto do título em si, mas sim do time que jogava naqueles mundiais e em tantos paulista, como Pelé, Pepe e Coutinho.
Do que adianta a maior torcida, sendo que ela não é presente?
Do que adianta tantos anos de glória, títulos, torcida enorme, sendo que vem uma diretoria corrupta e mancha essa história toda?
Um dos times de maior tradição no estado de São Paulo, a Ponte Preta, nunca ganhou um título na sua história, e é um dos times mais importantes do país. Isso não é uma história bonita?
Portanto meus amigos, essa discussão nunca acabará, pois o são paulino vai se lembrar do Expressinho Tricolor, o santista de Pelé, o palmeirense do chute do Marcelinho que o Marcos pegou, o corinthiano da invasão de 76, o flamenguista de Zico, o dombosquino de Carlinhos ie ié...
Tudo isso faz parte da história destes times.
domingo, 8 de junho de 2008
É pra comemorar
Toda quarta de futebol os amigos se reuniam no bar do Bira. Eram um grupo de flamenguistas que não perdiam um gol. O time era dos melhores, aquele mesmo campeão do mundo. O Renival marcava presença lá. Depois do trabalho, cadeira cativa no Bira, brahma bem gelada e muitos gritos de gol, com comemorações de subir na mesa e acordar a vizinhança. O Rene, só não contava em ser visto na padaria do Seu Manoel. Eplico já: As quintas era o dia do jogo do Vasco, naquela época dividiam os jogos da semana, na quarta a dupla FlaxFlu(contra diferentes adversários) e na quinta era dia de jogos em São Januario e Marechal Hermes. Lá estava o Rene, gritando gol do Dinamite, batendo na mesa, buzinando sem parar e pedindo mais uma rodada de skol e bolinhos de bacalhau. A padaria do Seu Manoel era frequentada por vascaínos fenebrosos, doentes pelo time da colina. Quando o Artu passou para comprar uns pães e a brahminha pra secar o vasco na Tv, deu de cara com o Renival. Puta que pariu, gritou o Artu. O Rene foi saindo gritando quanto tempo, quanto tempo. Já lá fora explicou ao amigo que o negócio dele era comemorar gol. Como Vasco e Flamengo tinham dois times goleadores e seus amigos eram ou um ou outro, ele adorava frequentar os jogos e comemorar do jeito mais torcedor brasieiro que lhe vinha na mente. Dizia ele que o futebol só é bom, mágico por causa do gol, não é como basquete ou volei que a cada lance você sabe que vai haver um ponto, ou três. No futebol não. É imprevissível, emocionante até o último segundo. O que dizer do Fluminense e São Paulo da Libertadores.? Me pergunto se nesse gol do Flu contra os bambis, fosse o grêmio e não o SP. Ele, o Renato iria comemorar?? Porque hoje no Olímpico(vulgo chiqueirão, segundo João)o Renato nem se quer fez um sinal de ok, um vamos lá, vamos empatar para o seu comandado quando este fez o gol. Diferente do Renato que conhecemos, hoje ele não levantou do banco, não berrou, não gritou, foi pior que esses técnicos de futebol de botão. Não comemorar gol do time que ele é funcionário, importante funcionário, é considerado a alma do time, o espírito de luta e raça é na maior leveza dos sentimentos um insulto aos milhões de tricolores e um deboxe à diretoria tricolor. Se ele(o Renato) ama o Grêmio e quer se diretor deles,é fácil. Pega o boné e apaga a luz quando sair. No Flu Renato, seja gol de barriga, canela ou roubado, seja contra Grêmio, Madureira ou América, se é do Fluminense. É pra comemorar.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
O Cafajeste
Eu sou um cafajeste. Mesmo sendo bom filho, bom marido e bom funcionário, sou um déspota. Um verdadeiro filho da puta. Também pudera. Aos dez minutos do segundo tempo, na final épica de Yokohama, jurei à Deus que se o Inter, por mais ridículo e improvável que fosse, ganhasse do Barcelona, mesmo que fosse nos pênaltis, eu tatuaria no braço direito a frase " Colorados das Glórias" ( com a primeira letra o sendo o escudo do clube), e no braço esquerdo " Orgulho do Brasil". Fui atendido. Deus está do lado de quem vence. Por minha causa o Internacional derrotou o invencível. Imagino aqui sentado quantas pessoas não fizeram o mesmo na fatídica noite de quarta- feira. Realmente o céu ontem deve ter tido tráfego de promessas. Afinal era o carrasco dos carrascos. Afinal era uma batalha contra o imbatível Boca. Afinal até o eterno Sobrenatural de Almeida apareceu no segundo tempo, nos pés do filho criado pelo o maior algoz, que teve numa terra distante o doce e frio sabor de vingança perfumar as suas entranhas. Geraldinos e arquibaldos transfomados num coral regidos por Onze maestros, não tão afinados quanto os outros, mas tiveram como fadário o mais entorpecente triunfo . Aliás foi possível avistar até o próprio criador da imortal expressão, sentado nas tribunas fumando seu cigarro perguntando para seu neto quem havia feito os tentos. Até Nelson estava lá fazendo promessas. É verdade que não vi o jogo. Como um grande cafajeste, minha inveja ludibriou tanto minha alma que dormi. Minha inveja de ver outra legião repetir o feito de meu esquadrão, não me permitiria assistir. Minha inveja de pensar que milhões estariam fazendo promessas utópicas para um possível totalmente realizável, e que se realizou. Minha inveja de ver alguém chegar onde outrora cheguei, e saber que dessa vez sou apenas um coadjuvante assistindo espetáculo. E pior de tudo: por minha culpa. Pelo grande filho da puta que que sou. A culpa da inveja que me corrói, é simples e puramente por culpa inteiramente minha: Eu não tatuei ainda meus braços ainda. E nem sei se vou tatuar. Deu no que deu. Não ganhamos mais nenhum título que preste. Que sirva de exemplo para os milhões de tricolores que estão em dívida com Ele.
Para de reclamar
Muitos simpatizantes do blog tem dito que agora aqui só se fala de Corinthians e Flumeninse, que está muito imparcial.
O que posso fazer se os dois times que mais vêm se destacando no Brasil é o time destes 2 blogueiros que aqui escrevem?
Simplesmente os irmão aqui estão com sorte.
Pela primeira vez estou feliz do lado do meu mano mais velho!
Boa sorte daí Guga, porque deste lado aqui, nós já ganhamos.
O que posso fazer se os dois times que mais vêm se destacando no Brasil é o time destes 2 blogueiros que aqui escrevem?
Simplesmente os irmão aqui estão com sorte.
Pela primeira vez estou feliz do lado do meu mano mais velho!
Boa sorte daí Guga, porque deste lado aqui, nós já ganhamos.
Eu estava lá
Cheguei em São Paulo as 4 horas da manhã de Quarta- Feira.
De Cuiabá a Sampa, conheci mais 5 torcedores do Corinthians, que estavam indo ver o Timão também. Fiquei imaginando quantos mais torcedores não estavam naquele avião, quantos mais não estavam tão ansiosos como eu.
Passei o dia inteiro quieto, estático, ansioso sem querer falar muito. Passei o dia todo pensando como seria o jogo.
Ao chegar no estádio, já estava arrepiado, 68 mil corintianos chegando junto, gritando, cantando vamos vamos meu timão, não para de lutar!
Dentro do estádio, como se fosse um presente do time corintiano para mim, para mim não, para a torcida, não deixaram o Leão respirar.
Para muitos o gol de Enílton no fim do jogo, pois água no meu chopp na minha festa. Para mim não, se fosse fácil demais, não era Corinthians.
Na quarta- feira que vem, que me desculpem meus amigos, mais ficarei muito chato até o fim do ano!
De Cuiabá a Sampa, conheci mais 5 torcedores do Corinthians, que estavam indo ver o Timão também. Fiquei imaginando quantos mais torcedores não estavam naquele avião, quantos mais não estavam tão ansiosos como eu.
Passei o dia inteiro quieto, estático, ansioso sem querer falar muito. Passei o dia todo pensando como seria o jogo.
Ao chegar no estádio, já estava arrepiado, 68 mil corintianos chegando junto, gritando, cantando vamos vamos meu timão, não para de lutar!
Dentro do estádio, como se fosse um presente do time corintiano para mim, para mim não, para a torcida, não deixaram o Leão respirar.
Para muitos o gol de Enílton no fim do jogo, pois água no meu chopp na minha festa. Para mim não, se fosse fácil demais, não era Corinthians.
Na quarta- feira que vem, que me desculpem meus amigos, mais ficarei muito chato até o fim do ano!
De Nelson Rodrigues para Antonio Athayde
Por RICARDO PEDREIRA**
Meu caro Tatá (desculpe a intimidade, mas seu pai, aqui a meu lado, me disse que alguns amigos lhe tratam dessa forma),
Saudações tricolores!
Do alto, vi o estádio Mário Filho – não me conformo em chamá-lo de Maracanã – coberto por uma nuvem de pó-de-arroz que já prenunciava o momento da glória.
Observei sua figura nervosa e de mãos crispadas, qual uma Maria temendo pela morte do Filho no calvário, e tentei lhe avisar que não havia motivo para temores. Mas você só tinha olhos para os Tiagos e Cia. e ouvidos para os urros alucinados das paixões milenares. Não me viu, não me ouviu. Calei-me, resignando-me ao silêncio respeitoso dos que sabem, na carne e na alma, que você vivia a angústia antecipatória das vitórias deslumbrantes.
O Rio de Janeiro estava parado, cálido como no Fla-Flu de 19.
Pouco antes do jogo, no Andaraí, um defunto carregado em féretro – onde três viúvas jorravam lágrimas de crocodilo - quis tirar o lenço que lhe amarrava o queixo e gritar: "Neeense!"
Mas você, homem incréu, duvidava daquilo que estava escrito há quatro mil anos! Minto. Duvidava daquilo que estava escrito antes do nada! Meu doce Otto, que bovinamente acompanhava minha vigília diante do seu atordoamento, recomendou-me generosidade e paciência: "conheço esse rapaz. Sempre quis tudo logo..."
Veio o primeiro tempo e seu silêncio, Antonio, parecia rachar catedrais. De fato, Washington não poderia ter perdido aquele gol logo no início! Veio o segundo tempo e o Palermo, com saúde de miúra dos pampas, fulminou nosso Fernando Henrique com a eficiência de um espadachim.
Sua pressão, meu caro amigo havia subido. Confesso que temi pelo pior. Em São Paulo, Isa pensava em Gonçalves e nos momentos de felicidade. Não seria justo.
Mas o caminho da glória se abriu, como o Mar Vermelho diante de Moisés. Washington se redimiu naquela falta primorosa, de fazer inveja a Riquelme. Conca confirmou a certeza absoluta, própria dos heróis de Dostoievski, de que os grandes precisam da sorte. E Dodô – veja que o nome e o sorriso desse rapaz parecem um doce da Vila Campista - selou a carta remetida por forças maiores.
Não importam os lances de perigo do Boca. Alguns idiotas da objetividade pediram para que eu visse o vídeo-tape do jogo e verificasse os momentos em que os sangüíneos argentinos quase nos liquidaram. Respondi impávido: o vídeo-tape é burro!
Gravatinha sorriu, de peito inflado como uma pomba da paz.
Assistimos ontem, você, eu e a nação tricolor, um momento de eternidade. Vamos guardá-lo na memória, como tesouro que foi.
Mas é hora de calçar as sandálias da humildade! Alucinado, como o velho Lobo, Telê diz aqui a meu lado: "só faltam dois!" Calma. Calcemos as sandálias! Onde estão as sandálias?
Recuso-me, agora, a consultar os oráculos. Quero a ignorância do crioulões em flor! O que importa, meu caro Antonio, é uma torcida como essa que vi você fazer no Mário Filho.
Vamos chegar a Tóquio, passando primeiro pela linha do Equador!
Saudações tricolores,
do Nelson
*Antonio Athayde é das melhores cabeças do mundo da comunicação no Brasil e filho de Austregésilo de Athayde, jornalista e escritor que presidiu a Academia Brasileira de Letras.
**Ricardo Pedreira é editor do jornal da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
Meu caro Tatá (desculpe a intimidade, mas seu pai, aqui a meu lado, me disse que alguns amigos lhe tratam dessa forma),
Saudações tricolores!
Do alto, vi o estádio Mário Filho – não me conformo em chamá-lo de Maracanã – coberto por uma nuvem de pó-de-arroz que já prenunciava o momento da glória.
Observei sua figura nervosa e de mãos crispadas, qual uma Maria temendo pela morte do Filho no calvário, e tentei lhe avisar que não havia motivo para temores. Mas você só tinha olhos para os Tiagos e Cia. e ouvidos para os urros alucinados das paixões milenares. Não me viu, não me ouviu. Calei-me, resignando-me ao silêncio respeitoso dos que sabem, na carne e na alma, que você vivia a angústia antecipatória das vitórias deslumbrantes.
O Rio de Janeiro estava parado, cálido como no Fla-Flu de 19.
Pouco antes do jogo, no Andaraí, um defunto carregado em féretro – onde três viúvas jorravam lágrimas de crocodilo - quis tirar o lenço que lhe amarrava o queixo e gritar: "Neeense!"
Mas você, homem incréu, duvidava daquilo que estava escrito há quatro mil anos! Minto. Duvidava daquilo que estava escrito antes do nada! Meu doce Otto, que bovinamente acompanhava minha vigília diante do seu atordoamento, recomendou-me generosidade e paciência: "conheço esse rapaz. Sempre quis tudo logo..."
Veio o primeiro tempo e seu silêncio, Antonio, parecia rachar catedrais. De fato, Washington não poderia ter perdido aquele gol logo no início! Veio o segundo tempo e o Palermo, com saúde de miúra dos pampas, fulminou nosso Fernando Henrique com a eficiência de um espadachim.
Sua pressão, meu caro amigo havia subido. Confesso que temi pelo pior. Em São Paulo, Isa pensava em Gonçalves e nos momentos de felicidade. Não seria justo.
Mas o caminho da glória se abriu, como o Mar Vermelho diante de Moisés. Washington se redimiu naquela falta primorosa, de fazer inveja a Riquelme. Conca confirmou a certeza absoluta, própria dos heróis de Dostoievski, de que os grandes precisam da sorte. E Dodô – veja que o nome e o sorriso desse rapaz parecem um doce da Vila Campista - selou a carta remetida por forças maiores.
Não importam os lances de perigo do Boca. Alguns idiotas da objetividade pediram para que eu visse o vídeo-tape do jogo e verificasse os momentos em que os sangüíneos argentinos quase nos liquidaram. Respondi impávido: o vídeo-tape é burro!
Gravatinha sorriu, de peito inflado como uma pomba da paz.
Assistimos ontem, você, eu e a nação tricolor, um momento de eternidade. Vamos guardá-lo na memória, como tesouro que foi.
Mas é hora de calçar as sandálias da humildade! Alucinado, como o velho Lobo, Telê diz aqui a meu lado: "só faltam dois!" Calma. Calcemos as sandálias! Onde estão as sandálias?
Recuso-me, agora, a consultar os oráculos. Quero a ignorância do crioulões em flor! O que importa, meu caro Antonio, é uma torcida como essa que vi você fazer no Mário Filho.
Vamos chegar a Tóquio, passando primeiro pela linha do Equador!
Saudações tricolores,
do Nelson
*Antonio Athayde é das melhores cabeças do mundo da comunicação no Brasil e filho de Austregésilo de Athayde, jornalista e escritor que presidiu a Academia Brasileira de Letras.
**Ricardo Pedreira é editor do jornal da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
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